sexta-feira, 26 de abril de 2013

Sua vida.


Pense em como você viveu a sua vida até o dia de hoje. E de repente você finalmente consegue realizar um daqueles sonhos que você quis por muito tempo. E pra isso você precisa abdicar de outras coisas que você se acostumou a ter ao longo do tempo. Quando você fala de objetos, pelo menos na minha opinião, a coisa se torna muito mais simples. De emoções e sentimentos, o processo de "acostumação" vai de cada ser humano, o que pode ser complicado ou não. Estou nessa no momento.

Meu sonho sempre foi viajar, conhecer outros lugares, aprender sobre culturas diferentes, aprender o máximo de línguas diferentes possíveis, parecendo ser a maior especialista do mundo em línguas. Lá fui eu desde pequena procurar coisas em inglês, francês, espanhol, italiano,  e me achando a bãn-bãn-bãn porque conseguia ler rótulo de shampoo. Até que não era tão ruim, em inglês pelo menos, eu conseguia ler alguns testículos, nessas outras línguas eu entendia algumas coisas em filmes, algumas palavrinhas em textos e assim por diante. Foi crescer, e me decepcionar de não ser uma poliglota. De outra língua mesmo só inglês, e olhe lá que ainda falta e talvez sempre faltará alguma coisa (nada demais, normal), e só arranho algumas frases de outras línguas, bem rasgado na garganta, mas beleza, isso também fui aprendendo que é normal, sou apenas um ser humano comum com outras qualidades que não estas, e isto não tem nada demais.

Fora isso, de importante em relação a emoção, é que eu me acostumei a ficar sozinha. Péssima ideia. Desde muito pequena, era alguém gritar comigo, ou brigar, xingar, bater, eu ou respondia e saía de perto, ou não respondia e saía de perto mesmo assim. E nisso chegou o momento de entrar pra minha faculdade de Turismo. Depois de ter tentando fazer outras duas faculdades, cheguei a conclusão que ia era ter que fazer os trabalhos sozinha, ver os avisos e extras dos professores por mim mesma, e largar mão da "colegaiada" que sempre só sabia atrapalhar a aula sempre toda hora, 8 horas por dia. Até aí tudo bem. Só que entrei pro curso e quase caio de costas que não só os colegas, conversavam de uma forma legal, se interessavam pelo que eu também queria e todos os trabalhos são em grupo. Obrigatoriamente em grupo, porque um turismólogo precisa aprender a trabalhar em equipe. Fiquei maravilhada, pessoa mais feliz da Terra, estudando o que queria, com pessoas legais, e sendo muito bem "atendida" por professores que se incomodavam como você estava, se os estudos iam bem, e se estávamos aprendendo. Deliciosamente "fácil". Trabalhosos. Mas fácil. O ano foi pontuado por umas poucas discussões, aquelas que eu tanto detesto, e que mudam a convivência com o ser humano que você está lidando. Tenho sorte. Mesmo com estas discussões as coisas não mudaram, tudo continuou bem, mas estas pessoas acabaram desistindo do curso... Não pude deixar de pensar que ainda bem que isso aconteceu, porque o problema não se repetiria. 

Este ano já está diferente. Tudo mais quieto... Mais sombrio... De certa forma mais difícil para os outros... Vou levando. E gostando cada vez mais. Essa semana mudou uma coisinha. Uma pessoa ali dentro começou a... Diria... "Botar a asinha de fora". Só pra mim. Excepcionalmente só para mim. Com professores, e outros colegas, a pessoa continua o que sempre foi. Mas na hora de botar a boca no trombone, o negócio é sentar comigo. "E se eu estivesse falando com outra pessoa não estaria falando assim. Claro que não." Juro que não respondi mais nada. Com mais dois anos tendo que conviver com a pessoa, que sei que não vai desistir do curso? Não dá pra discutir. É nessa hora que vem a tal da ética profissional e estudantil. Mas não pense que minha orelha é penico, já falei pra essa pessoa que não é. E a coisa melhorou, a latrina não está mais puxando descarga dentro da minha cavidade orelhal. Mas vou ter que me atrever a falar um egoísmo. Por favor, tempo, passe, que eu quero me acostumar assim como me acostumei com outras coisas, zelando pelo meu conforto mental.

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